MyTripDate
← Back to blog
Member Stories

Rita e Felipe: conheceram-se num voo TAP e hoje vivem em Coimbra

By admin Mar 11, 2026 6 min read
Rita e Felipe: conheceram-se num voo TAP e hoje vivem em Coimbra

Voo TP84 de São Paulo para Lisboa, fileira 27. Ela ia para o funeral do tio; ele, para uma conferência. Três anos depois, a sala de estar deles dá para o Mondego.

Fileira 27, assentos C e D, voo TP84 da TAP, São Paulo Guarulhos para Lisboa, descolagem às 18h10 hora de Brasília. Uma segunda-feira de Fevereiro de 2023. A Rita, 31 anos na altura, arquiteta em São Paulo, voava para Lisboa para o funeral do tio materno. Não tinha dormido desde a véspera. O Felipe, 35 anos, português de Coimbra com vida de engenheiro entre Lisboa e uma empresa do Brasil, voltava de uma conferência em Campinas.

Senão fosse a turbulência sobre o Atlântico Norte, que pôs metade dos passageiros em insónia, talvez nem tivessem trocado três frases. Mas duas horas no escuro, com a luz da torre de sinalização a piscar pela janela e um café mal feito na dobradiça, criaram a primeira conversa: a Rita a perguntar-lhe se os voos TAP tinham sempre este ar condicionado irritante, ele a responder que sim e a admitir que já tinha feito esta rota dezassete vezes naquele ano. Catorze horas depois aterraram em Lisboa, e trocaram-se Instagram à porta do terminal de bagagem.

As semanas seguintes, e porque é que a MyTripDate entra

O Felipe, no dia seguinte ao voo, fez algo que descreve agora como pouco habitual nele: procurou a Rita na MyTripDate. Sabia que ela estava ativa porque durante o voo tinham falado brevemente de apps — ela tinha perfil há dois meses. O Felipe tinha-se afastado dos apps há pouco, cansado. Mas, nas palavras dele, depois daquela conversa interrompida pela turbulência, precisava de um contexto onde retomar com menos estranheza do que um direct no Instagram.

A mensagem que ele enviou diz ela que foi, em português, quase clínica: Sobrevivemos à turbulência. Queres continuar essa conversa sem os quarenta ruídos do avião? A Rita respondeu oito horas depois, já em Portugal, vestida para o funeral, com um sim curto e sem pontos de exclamação. Trocaram durante duas semanas enquanto ela estava em Lisboa a resolver papelada da família e os primeiros dias de luto.

O primeiro encontro presencial, em fase difícil

O que tornou esta história particular foi o contexto. A Rita estava em Portugal num dos piores momentos pessoais da vida — luto próximo, cansaço de fuso, obrigações legais. O Felipe percebeu isto ao final da primeira mensagem e não forçou encontro rápido. Se quiseres um café, eu estou em Lisboa na quinta. Sem pressão, e sem programa.

Encontraram-se na Feira da Ladra num sábado de chuva. A Rita estava com a prima, o Felipe apareceu vinte minutos, tomou um café, foi-se embora. Foi o melhor primeiro encontro que já tive, diz ela hoje. Ele não me quis ver por uma hora, e não me pediu para ir jantar. Fez-me sentir que eu continuava a ser pessoa, não objetivo.

Há encontros que funcionam porque respeitam o momento da outra pessoa. Eu precisava de vinte minutos. Ele ofereceu vinte minutos. Nada mais, nada menos.

A primeira decisão: a visita de volta

A Rita voltou a São Paulo três semanas depois. O Felipe propôs — e isto também é atípico em primeira fase — ir visitá-la em São Paulo em Abril. Eu ia de qualquer modo em trabalho. Se te apetece, encontramo-nos lá, mas com a mesma regra: sem pressão.

Essa primeira visita foi de oito dias. Ficaram em apartamentos separados, na Vila Madalena. Jantaram cinco vezes, andaram de metro até Liberdade, ela levou-o à casa dos pais numa terça à noite para um feijão tropeiro. O Felipe admite hoje que foi quando percebeu que isto ia durar. Não por causa dos pais dela, mas por causa da facilidade com que ele se movia na cidade dela sem ser servido como turista.

Um ano Lisboa-São Paulo

Durante treze meses, mantiveram a relação à distância com uma regra rígida: cada 8-10 semanas, um dos dois viajava. O Felipe ia a SP no âmbito de trabalho, a Rita vinha a Lisboa com desculpas que se iam tornando menos desculpas. Mantinham chamadas longas só aos domingos à noite, hora de Lisboa — 16h em SP. Durante a semana, voz curta e mensagens escritas.

A Rita conta que a mudança mental aconteceu no nono mês. Estava a desenhar um projeto em SP e deu por si a desenhar um escritório para dois. Foi assustador. Percebi que estava a projetar a vida dele dentro da minha.

A conversa sobre cidade

A grande decisão — quem se muda, para onde — levou quatro meses de conversa, entre o décimo e o décimo-quarto mês. Avaliaram três cenários: ele mudar para SP, ela mudar para Lisboa, ou ambos mudarem para uma cidade mais barata em Portugal. Ganhou a terceira opção, em grande parte porque ele tinha família em Coimbra e ela tinha possibilidade de trabalho remoto em arquitetura para clientes brasileiros.

Coimbra em Janeiro de 2024

A Rita aterrou em Lisboa com duas malas grandes e um visto D7 em processo em 24 de Janeiro de 2024. O Felipe foi buscá-la, apanharam o Alfa para Coimbra na mesma tarde. Arrendaram um T1 na Baixa por 650 euros. Felipe continuou o trabalho remoto com deslocações mensais a Lisboa. A Rita levou quatro meses a consolidar clientela local além da brasileira.

Casaram em Maio de 2025, numa cerimónia pequena na praia do Cabedelo, em Figueira da Foz. Não houve grande festa. A festa foi estarmos juntos numa cidade a sério, diz o Felipe, não no check-in de um voo.

Três conselhos que eles repetem

  1. Não forcem intensidade nas primeiras semanas se o momento pessoal for difícil. A Rita estava em luto quando se conheceram. Respeitar isso foi o que permitiu continuar. Relações que começam em momentos vulneráveis morrem quando não há espaço para a vulnerabilidade.
  2. Regra dos 8-10 semanas para a distância. Mais do que isso e a rotina do outro desaparece; menos do que isso e ninguém arranja o tempo.
  3. Quando a decisão de cidade aparecer, avaliem a terceira opção. Eles não escolheram entre Lisboa e São Paulo. Escolheram Coimbra. Nenhum dos dois ganhou, e nenhum sentiu que perdeu.

Onde estão agora

Continuam em Coimbra. A Rita abriu um pequeno estúdio de arquitetura na zona da Casa das Caldeiras em Abril de 2025, com projetos entre Coimbra, Aveiro e Lisboa. O Felipe trabalha remoto quatro dias por semana e desloca-se a Lisboa na quinta. Têm uma gata chamada Matilde. Costumam passar o Natal em São Paulo e o Ano Novo em Portugal. Um ciclo que os mantém com um pé em cada terra, por opção.

A moral, se há uma

A Rita costuma resumir assim: não conhecemos alguém. Conhecemos a forma como alguém responde a um momento específico. O Felipe responde à turbulência do TP84 com curiosidade gentil. Isso mesmo foi o primeiro dado a favor. Tudo o resto, diz ela, veio por consequência.

Se estás em voos longos, não durmas tudo. Uma conversa com o passageiro do lado, quase nunca, resulta em nada — mas ocasionalmente resulta em Coimbra.

Related posts

Como Mariana e Tiago se conheceram no NOS Primavera Sound — a história completa

Como Mariana e Tiago se conheceram no NOS Primavera Sound — a história completa

Feb 04, 2026